Grande parte do que somos resulta das experiências culturais

14/07/2022
Citação de Ana Sofia Antunes: "Grande parte do que somos resulta das experiências culturais"

A cultura faz parte da construção da identidade de um coletivo. Mas, antes disso, começa por nos permitir a construção da nossa própria identidade. A cultura dá-nos liberdade, permite-nos ir mais longe no contexto das vivências quotidianas, remete-nos para um universo paralelo entre o real e o imaginário. Grande parte do que somos resulta das nossas experiências culturais. É, por isso, fácil compreender a importância da inclusão das pessoas com deficiência através da atividade artística, e na própria atividade artística.

O acesso à cultura faz parte da plena cidadania de cada um. Direito fundamental, plasmado na Constituição da República Portuguesa e na Carta Universal dos Direitos Humanos, a inclusão cultural assume um papel fulcral na plena inserção social do indivíduo. Também a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pela Organização das Nações Unidas em 2006 e ratificada por Portugal em 2009, tem aqui um papel de relevo, na medida em que corporiza os Direitos Humanos destes cidadãos.

A Convenção, entre outros aspetos, incita-nos a promover a acessibilidade em todas as dimensões da vida social. No artigo 30.º a Convenção realça o direito e acesso à participação na vida cultural. Esta participação depende, principalmente, de acessibilidades nas diversas formas, designadamente física, mas também nos conteúdos informativos, culturais e recreativos. Através dela, os Estados-Parte vinculam-se ao compromisso da concretização de medidas e políticas públicas promotoras da inclusão na vida cultural.

A Estratégia Europeia sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência 2021-2030 reforçou este compromisso com a inclusão. Portugal tem vindo a desenvolver um trabalho consistente na temática, dando especial destaque à sua concretização através da Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência 2021-2025 (ENIPD 2021-2025).

A ENIPD 2021-2025 estabelece bases para a inclusão na cultura, trabalhada do ponto de vista do visitante, ou espectador, e do ponto de vista do artista e colaborador, ainda que tenhamos focado a nossa atenção no primeiro. Esta foi uma decisão consciente e que persegue o objetivo de espoletar uma mudança mais imediata e efetiva no desenho das políticas públicas.

A inclusão através da Cultura está presente em mais do que um eixo estratégico da ENIPD 2021-2025, apesar de a mesma ter um eixo específico para o tema, o Eixo VII Cultura, Desporto, Turismo e Lazer.

Neste sentido, no ano corrente, foi publicada a Estratégia de Promoção da Acessibilidade e da Inclusão dos Museus, Monumentos e Palácios 1021-2025 na dependência da Direção-Geral do Património Cultural e das Direções Regionais de Cultura.

Foi, também, identificada a necessidade de estimular a aposta em práticas inclusivas em eventos culturais de largo espectro, como é o caso dos festivais. Como resposta a essa questão, pretendemos formalizar o programa “Festivais Acessíveis”, por forma a incrementar o número de eventos acessíveis a todos. O programa resulta de um trabalho articulado entre as áreas governativas da inclusão e do turismo, e inclui a atribuição anual do “Prémio Festival + Acessível”, destinado à valorização e divulgação das melhores práticas nesta área em concreto.

Enquanto governante, e tendo eu própria uma deficiência visual, compreendo a urgência de estruturar instrumentos impulsionadores de mudança. Estes instrumentos irão funcionar como agentes transformadores dos paradigmas atuais, rumo a um presente e futuro mais inclusivos.

Ana Sofia Antunes

Nasceu em Lisboa, em 1981. Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa foi, já a exercer advocacia, convidada para trabalhar na Câmara Municipal de Lisboa. Na autarquia foi assessora jurídica do vereador da Mobilidade, entre 2007 e 2013.  Em 2010 ficou responsável pelos trabalhos do Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa. Três anos depois, transitou para a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa, onde foi provedora do cliente. Integrou a ACAPO, Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal como presidente da Direção Nacional da Associação entre 2013 e 2015.
É Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência no XXI Governo Constitucional.

Descodificador

Porque escrevemos pessoas com deficiência e não deficientes?

Porque todos somos pessoas antes de definirmos qualquer característica. A deficiência é apenas uma delas. É por isso que escrevemos pessoas com deficiência. Sem medo da palavra deficiência, mas reconhecendo-a sempre enquanto característica.

Amplificador

#WeThe15 com audiodescrição

WeThe15: é um movimento global de direitos humanos para 1,2 mil milhões de pessoas com deficiência. 
Múltiplas organizações internacionais unem-se nesta campanha de uma década para transformar a vida de 1,2 mil milhões de pessoas, numa campanha liderada pelo Comité Paraolímpico Internacional, Aliança Internacional para a Deficiência, Direitos Humanos da ONU, UNESCO, UNAOC entre outros.

Agenda

Eventos com acessibilidade física, legendagem, Língua Gestual Portuguesa e Audiodescrição. 


Cidade do Zero 
8,9 e 10 de Julho, Pavilhão do Conhecimento – Centro de Ciência Viva, Lisboa

Destaque: Um evento imersivo de 3 dias sobre sustentabilidade, com palestras, workshops, mercado de trocas e várias marcas que colocam a responsabilidade social e ambiental no topo das suas prioridades. Destaque para três palestras sobre acessibilidade, nomeadamente a de Inclusão e Acessibilidade com a Access Lab.

+ info: Cidade do Zero

Acessibilidade: Oferta do bilhete de acompanhante a pessoas com deficiência. Casa de banho adaptada e acessível. Tradutor de Língua Gestual Portuguesa em todos os espaços em que seja sinalizada a sua necessidade.


Miquelina e Miguel 
7 de Julho, Teatro do Bairro Alto, Lisboa

Destaque: O tema da memória e da sua perda são os fios condutores de Miquelina e Miguel, onde o coreógrafo Miguel Pereira procura resgatar um novo lugar, trágico-cómico, entre ele e a sua mãe. Um encontro delirante e carinhoso a dois, onde a dança, o absurdo e a fragilidade são celebrados num espaço de liberdade sem limites, numa tentativa de contrariar o tempo e escapar ao inevitável.

+ info: Teatro do Bairro Alto – Miquelina e Miguel

Acessibilidade: Audiodescrição, espaço físico.


Mais sugestões em www.cultura-acessivel.pt

Scroll to Top
Skip to content
accesslab favicon
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.