Luz na noite

É difícil de acreditar como, num tão curto espaço de tempo, se banalizaram discursos de ódio e narrativas construídas baseadas em mitos ou preconceitos com o único objetivo de criar a “percepção“ (palavra da moda) de que existem inimigos. As pessoas com deficiência são um dos grupos que está no centro deste ódio e destes mitos. Não é novo ao longo da história, infelizmente. Tem conduzido a atrocidades. A desumanização e o medo como ferramentas políticas provocam isso. Tenho refletido na melhor forma de estar perante esta realidade.

Reagir, congelar ou chorar?

Na dúvida na forma de estar, ia escrever este artigo sobre a inclusão no ensino para, com factos, desmistificar discursos recorrentes e infundados (nos mais destacados e ilustres cargos). Mas esta semana fui aos primeiros dias de um projeto que estamos a lançar na Universidade

Católica no Porto em parceria com o Inclusive Community Forum da Nova SBE de Lisboa. Gostava de partilhar a esperança que jovens universitários e não universitários, com deficiência e sem deficiência me ofereceram.

O projeto Peer2Peer pretende contribuir para o aumento de competências para a empregabilidade, é uma oferta formativa que se realiza em pares. Cada par é constituído por jovens com e sem deficiência. Não sabíamos, perante todo este ambiente (nacional e internacional), se iríamos ter interessados a participar num projeto que embora o objetivo principal seja a formação para a entrada no mercado de trabalho, o coração são as relações que se podem estabelecer e a empatia que pode nascer entre realidades e obstáculos distintos de jovens com e sem deficiência. Qual o nosso espanto quando, no final da primeira hora da abertura das inscrições, tinham esgotado os lugares disponíveis.

Nas salas cheias, escutamos jovens cheios de sonhos, conscientes dos obstáculos e, sobretudo, comprometidos em serem motores de transformação para uma sociedade inclusiva, equitativa e cujo valor da dignidade humana seja o foco do futuro.

Não deixa de ser estranho a rapidez com que também o meu olhar mudou e dou por mim a olhar para jovens universitários que escolheram participar neste projeto e que estão connosco na missão de criar uma universidade mais inclusiva como corajosos. Há 1 ano, talvez olhasse para eles como jovens em busca de entender a justiça e a inclusão. Mas agora não, o mundo mudou e sim, são corajosos. São uma “luz na noite”.

Afinal, a esperança não é um ato passivo é a nossa maior arma contra o ódio, o preconceito e a violência. A esperança não é uma ideia, é um movimento humano. A esperança é a única forma de silenciar o mal banal e escutar o bem excecional. A nova geração sabe e está cheia de jovens ativistas desta esperança. Obrigada por serem a luz na noite. São a Esperança, no mundo.

Ps. Obrigada, Papa Francisco, a sua autobiografia “A esperança é uma luz na noite” é um manual eterno para nos mantermos à tona no mar da esperança.

Joana Morais e Castro

Joana Morais e Castro é licenciada em direito pela Universidade Católica Portuguesa e é especialista em Direitos Humanos (Universidade do Minho e Universidade de Coimbra). Tem estado dedicada a missões de intervenção social e comunitária em Portugal e no estrangeiro. É Presidente da ENCONTRAR+SE e membro da Direção da COMPASSIO. Colabora na Área Transversal de Economia Social da Universidade Católica do Porto – Porto (ATES/UCP) como docente e consultora na área da inclusão das pessoas com deficiência. Adora escrever e procura recorrer às narrativas para a criação de empatia, compaixão e combate ao estigma e preconceito, especialmente desde que é Mãe da Maria Joana, que tem Trissomia 21.

Megafone

Sheldon, Zoe, Ivan, Josh e Riley são cinco cidadãos de Singapura com diferentes tipos de deficiência. Acompanhamos o dia a dia de cada um enquanto embarcam em jornadas de auto conhecimento e lutam por um mundo mais inclusivo.  

Clipping


Como o Reino Unido está a passar o turismo acessível do papel para a realidade

 

Notícia – National Geographic

As viagens podem apresentar muitos desafios às pessoas com deficiência – desde cadeiras de rodas perdidas ou danificadas a funcionários sem formação adequada. No entanto, há uma nova força de intervenção do governo britânico que está a alterar esta realidade.

 

Agenda

Eventos com acessibilidade física, legendagem, Língua Gestual Portuguesa e Audiodescrição. 


 

Lá | Teatro Meridional
16 de março, Teatro Meridional, Lisboa 

Destaque: Dois homens e uma rapariga querem mais da vida. Do interior para a cidade, nos anos sessenta do século passado, da cidade para o interior, na atualidade, a sua história é uma metáfora das migrações nas últimas décadas e, também, das desigualdades territoriais neste canto da Europa. De José Luís Peixoto, com encenação de Miguel Seabra.


+ informação: Teatro Meridional

Acessibilidade: Espetáculo com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.


Mais sugestões em www.cultura-acessivel.pt

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