A escolaridade das pessoas com deficiência em Portugal, a UEFA em Lisboa e os melhores de 2024

09/01/2025

Olá!

Há um debate que tem estado ausente em Portugal: a escolaridade de pessoas com deficiência. Sabiam que apenas 5,4% das pessoas com deficiência completaram o ensino superior e apenas 8,5% o secundário? Isto significa que 86,1% desta população tem o ensino básico ou escolaridade inferior, num país em que o 12.º ano é obrigatório.

Na população sem deficiência 19,8% completou o ensino superior, 24,7% o ensino secundário, o que nos leva a 55,5% com escolaridade até ao terceiro ciclo. São números alarmantes que podem explicar muitos dos problemas com que lidamos.

Centremo-nos nas pessoas com deficiência: como pretendemos aplicar a lei das quotas de empregabilidade, e estimular a autonomia financeira, quando as pessoas apresentam este défice de escolaridade? Não estaremos a saltar uma etapa essencial?

Em 2025, este será um dos meus eixos de ação, por isso, quis trazer-vos a questão. Podem consultar mais informação na secção de sociedade e política desta newsletter.

Em notas positivas, refletindo o ano que passou, trago-vos os melhores de 2024: um disco, um livro, um filme e um museu. No desporto, importa referir o grande guia de acessibilidade que a UEFA lançou em Lisboa, na Cidade do Futebol – um rasgo de esperança para quem trabalha em acessibilidade.

Fiquem connosco!

Tiago Fortuna

Sociedade & Política

 

Que debate devemos ter em Portugal sobre a escolaridade de pessoas com deficiência?

Falamos todos os dias na empregabilidade, é o discurso dominante do espaço público. Falamos em surdina sobre a dificuldade que é empregar as pessoas com deficiência. E porquê? Os dados expostos na introdução desta newsletter são indicadores de desigualdades sistémicas, de um país que ainda está longe de compreender o que significa a diversidade e inclusão. Convido-vos por isso a visitar o Observatório da Deficiência e Direitos Humanos e mergulhar na publicação Pessoas com Deficiência em Portugal – Indicadores de Direitos Humanos 2023.  

Cultura

 

Os melhores de 2024:

O disco: “Cowboy Carter”, Beyoncé – O segundo de três actos pela reparação histórica da cultura afro-americana. Primeiro na música de dança, com “Renaissance”, agora com o country, em “Cowboy Carter”. Beyoncé recupera as raízes apagadas pelas forças da normatividade e da branquitude, continuando a criar um legado ímpar e ocupando um lugar de desconforto e desafio na cultura pop.

 

O livro: “Castas”, Isabel Wilkerson –  Foi editado em 2020 mas só cheguei a ele em 2024. É uma leitura essencial sobre o preconceito, a discriminação mas, sobretudo, o lado mais negro da humanidade. “Castas” faz um paralelo entre o sistema de castas indiano, o sistema nazi e o racismo estrutural ocidental, colonialista e norte-americano.

 

O filme: “Zona de Interesse”, Jonathan Glazer – Vencedor de 2 óscares, nomeado para 5. O filme mais desconfortável que vi em 2024. Sobre a falta de empatia, a crueldade, uma ideologia monolítica que despe a cultura das suas cores e oportunidades. É sobre a vida de uma família cujo pai tinha o (dito) privilégio de dirigir um campo de concentração durante o fascismo alemão.

 

O museu: Centro de Arte Moderna, Gulbenkian – Foi a maior festa do panorama cultural português no ano que passou. O CAM reabriu com Leonor Antunes, Fernando Lemos mas também novas aquisições e a possibilidade de conhecer melhor a riqueza do arquivo da sua colecção em “Reservas visitáveis”. Já há programa para 2025 – com destaques para Paula Rego e Adriana Varejão.

 

Desporto

 


A UEFA celebrou o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência em Lisboa, na Cidade do Futebol, lançando o seu novo guia de acessibilidade. A todos os que se interessam pela temática, vale a pena consultar o documento para pensar em eventos mais acessíveis e capazes de incluir pessoas com deficiência.  

Sobre o autor:
Tiago Fortuna

Apaixonado pela cultura no sentido lato, acredita na pop como meio de democracia cultural. Co-fundou a Access Lab em 2022 para garantir o acesso de pessoas com deficiência e Surdas. Com a Access Lab, tem implementado projectos de inclusão em algumas das maiores salas de espectáculos, festivais e empresas. Antes, foi assessor de imprensa na LiveCom e fundou a Associação Portuguesa de Festivais de Música. É licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH – UNL, a mesma instituição onde se pós-graduou em Comunicação de Cultura e Indústrias Criativas.

linktr.ee/tiagofortuna

LinkedIn icon Instagram icon

Esta newsletter foi escrita a ouvir:

Defying Gravity da banda-sonora de Wicked.

 

Scroll to Top
Skip to content
accesslab favicon
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.