Nasci no Brasil, mas em uma família vinda de Portugal, o que me fez conviver desde sempre com a cultura portuguesa que aumenta o privilégio em trabalhar para uma empresa como a Rock World, onde Brasil e Portugal andam lado a lado. Por mais que eu seja do Rio de Janeiro, quis o destino que eu só conhecesse o Rock in Rio vivendo em uma cadeira de rodas, depois de passar por um acidente automobilístico em 2011.
Já nos anos de 2013 e 2015 fui público do festival no Brasil, mas desde 2017 passei para o lado dos bastidores. Foi nesse mesmo ano que o Rock in Rio foi o primeiro festival a ter uma área dedicada a planejar a experiência de pessoas com deficiência ou mobilidade condicionada, e eu tive a honra de liderar o projeto de acessibilidade em um grande festival.
Não é apenas uma responsabilidade profissional, é também uma experiência profundamente transformadora. Ao longo da minha jornada na Rock World, estou hoje como gerente da área de inclusão dos festivais, tendo como missão mostrar que acessibilidade não é um complemento: é parte essencial da experiência.
Quando falamos de festivais, falamos de emoção, pertencimento e conexão. E por muito tempo, as pessoas com deficiência se privaram de ir a um evento de grande porte.
O pioneirismo da Rock World nesse caminho mostra que grandes eventos podem, sim, ser pensados para todas as pessoas desde o início. Não se trata apenas de estruturas físicas, mas de cultura. No Brasil, quando falamos de inclusão, é notória o empenho das pessoas a reivindicarem os seus direitos, mas na prática sempre ficava mais superficial.
Ser o primeiro primeiro festival a se dedicar a promover a equidade entre todas as pessoas do público, também significa enfrentar desafios inéditos. Nem sempre existem referências, nem sempre o caminho é fácil. Mas é justamente nesse espaço que nasce a inovação. As edições de 2017 e 2019 no Brasil, foram essenciais para entendermos qual seria o melhor formato.
Em 2022, começamos a levar o modelo de sucesso no Brasil, para Portugal, num primeiro momento de forma mais discreta, para entender o público europeu e como a cultura local percebe a acessibilidade. Foi então em 2024 que conseguimos trazer mais amplamente a acessibilidade para o Rock in Rio Lisboa, sendo de muito sucesso, agora em um espaço muito representativo, como o Parque Tejo.
No Brasil ou em Portugal, o objetivo é o mesmo, proporcionar momentos únicos para toda gente, unindo propósito, pessoas e trabalho. Em junho vamos abrir novamente a Cidade do Rock em Lisboa e temos a certeza de que será o melhor Rock in Rio de sempre.
Thiago Amaral
Thiago Amaral é gerente de pluralidade na Rock World, onde lidera estratégias de diversidade, equidade, inclusão e acessibilidade em festivais como Rock in Rio, The Town e Lollapalooza. Com um percurso ligado à criação de experiências mais inclusivas, tem desenvolvido projetos de impacto social e acessibilidade em grandes eventos. Passou também pelo Comité Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, na área de operações.
Megafone
Como tornar a música ao vivo mais acessível para pessoas com deficiência? Neste vídeo, o Glastonbury Festival e a Band on the Wall, em Manchester, mostram duas abordagens diferentes para criar experiências mais inclusivas em festivais e salas de espetáculo. Reconhecidas com o “Gold Standard” da Attitude is Everything, ambas as organizações partilham práticas e aprendizagens que demonstram que a acessibilidade não depende da dimensão do evento, mas do compromisso em pensar a cultura para todas as pessoas.
Clipping
Comissão Europeia quer mais direitos para pessoas com deficiência
Na União Europeia, mais de 90 milhões de pessoas vivem com deficiência, mas continuam a enfrentar desigualdades profundas. Apenas 55% estão empregadas e 1 em cada 3 está em risco de pobreza. Para responder a estes desafios, a Comissão Europeia quer reforçar o Cartão Europeu de Deficiência, melhorar a acessibilidade nos transportes e investir em tecnologias de apoio, incluindo ferramentas de IA.
Agenda
Eventos com acessibilidade física, legendagem, Língua Gestual Portuguesa e Audiodescrição.
Evita | Lisboa
Capitólio
Até 28 de junho
Destaque: Em formato de ópera-rock, Evita retrata a ascensão e queda de Eva Perón, uma jovem ambiciosa que sai do interior da Argentina para conquistar fama, poder e influência ao lado de Juan Perón. Adorada pelo povo e alvo de fortes críticas, Eva torna-se uma figura mítica da política argentina. Narrada por Che, uma voz crítica ao longo da história, a obra acompanha o percurso de Evita até à sua morte precoce, aos 33 anos. Desde a estreia em Londres, em 1978, o musical tornou-se um clássico, interpretado por nomes como Patti LuPone e Madonna.
+ informação: Capitólio
Acessibilidade:
Sessões com audiodescrição: 24 de maio às 16h, 20 de junho às 21h e 21 de junho às 16h com reconhecimento de palco 1h antes do início do espetáculo.
Sessões com legendagem em inglês e em LSE (português adaptado): sextas-feiras (8, 15 e 22 de maio; 5, 19 e 26 de junho) e sábados, nas sessões das 21h (9 e 23 de maio; 6 e 20 de junho).


