Onde a inclusão encontra os grandes festivais

21/05/2026

Nasci no Brasil, mas em uma família vinda de Portugal, o que me fez conviver desde sempre com a cultura portuguesa que aumenta o privilégio em trabalhar para uma empresa como a Rock World, onde Brasil e Portugal andam lado a lado. Por mais que eu seja do Rio de Janeiro, quis o destino que eu só conhecesse o Rock in Rio vivendo em uma cadeira de rodas, depois de passar por um acidente automobilístico em 2011.

Já nos anos de 2013 e 2015 fui público do festival no Brasil, mas desde 2017 passei para o lado dos bastidores. Foi nesse mesmo ano que o Rock in Rio foi o primeiro festival a ter uma área dedicada a planejar a experiência de pessoas com deficiência ou mobilidade condicionada, e eu tive a honra de liderar o projeto de acessibilidade em um grande festival.

Não é apenas uma responsabilidade profissional, é também uma experiência profundamente transformadora.  Ao longo da minha jornada na Rock World, estou hoje como gerente da área de inclusão dos festivais, tendo como missão mostrar que acessibilidade não é um complemento: é parte essencial da experiência.

Quando falamos de festivais, falamos de emoção, pertencimento e conexão. E por muito tempo, as pessoas com deficiência se privaram de ir a um evento de grande porte.

O pioneirismo da Rock World nesse caminho mostra que grandes eventos podem, sim, ser pensados para todas as pessoas desde o início. Não se trata apenas de estruturas físicas, mas de cultura. No Brasil, quando falamos de inclusão, é notória o empenho das pessoas a reivindicarem os seus direitos, mas na prática sempre ficava mais superficial.

Ser o primeiro primeiro festival a se dedicar a promover a equidade entre todas as pessoas do público, também significa enfrentar desafios inéditos. Nem sempre existem referências, nem sempre o caminho é fácil. Mas é justamente nesse espaço que nasce a inovação. As edições de 2017 e 2019 no Brasil, foram essenciais para entendermos qual seria o melhor formato.

Em 2022, começamos a levar o modelo de sucesso no Brasil, para Portugal, num primeiro momento de forma mais discreta, para entender o público europeu e como a cultura local percebe a acessibilidade. Foi então em 2024 que conseguimos trazer mais amplamente a acessibilidade para o Rock in Rio Lisboa, sendo de muito sucesso, agora em um espaço muito representativo, como o Parque Tejo.

No Brasil ou em Portugal, o objetivo é o mesmo, proporcionar momentos únicos para toda gente, unindo propósito, pessoas e trabalho. Em junho vamos abrir novamente a Cidade do Rock em Lisboa e temos a certeza de que será o melhor Rock in Rio de sempre.

Thiago Amaral

Thiago Amaral é gerente de pluralidade na Rock World, onde lidera estratégias de diversidade, equidade, inclusão e acessibilidade em festivais como Rock in Rio, The Town e Lollapalooza. Com um percurso ligado à criação de experiências mais inclusivas, tem desenvolvido projetos de impacto social e acessibilidade em grandes eventos. Passou também pelo Comité Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, na área de operações.


 

Megafone

 

Como tornar a música ao vivo mais acessível para pessoas com deficiência? Neste vídeo, o Glastonbury Festival e a Band on the Wall, em Manchester, mostram duas abordagens diferentes para criar experiências mais inclusivas em festivais e salas de espetáculo. Reconhecidas com o “Gold Standard” da Attitude is Everything, ambas as organizações partilham práticas e aprendizagens que demonstram que a acessibilidade não depende da dimensão do evento, mas do compromisso em pensar a cultura para todas as pessoas.


 

Clipping

Comissão Europeia quer mais direitos para pessoas com deficiência
 

Artigo RTP 

Na União Europeia, mais de 90 milhões de pessoas vivem com deficiência, mas continuam a enfrentar desigualdades profundas. Apenas 55% estão empregadas e 1 em cada 3 está em risco de pobreza. Para responder a estes desafios, a Comissão Europeia quer reforçar o Cartão Europeu de Deficiência, melhorar a acessibilidade nos transportes e investir em tecnologias de apoio, incluindo ferramentas de IA.


 

Agenda

Eventos com acessibilidade física, legendagem, Língua Gestual Portuguesa e Audiodescrição. 

Evita | Lisboa
Capitólio
Até 28 de junho

Destaque: Em formato de ópera-rock, Evita retrata a ascensão e queda de Eva Perón, uma jovem ambiciosa que sai do interior da Argentina para conquistar fama, poder e influência ao lado de Juan Perón. Adorada pelo povo e alvo de fortes críticas, Eva torna-se uma figura mítica da política argentina. Narrada por Che, uma voz crítica ao longo da história, a obra acompanha o percurso de Evita até à sua morte precoce, aos 33 anos. Desde a estreia em Londres, em 1978, o musical tornou-se um clássico, interpretado por nomes como Patti LuPone e Madonna.

+ informação: Capitólio


Acessibilidade:

Sessões com audiodescrição: 24 de maio às 16h, 20 de junho às 21h e 21 de junho às 16h com reconhecimento de palco 1h antes do início do espetáculo.

Sessões com legendagem em inglês e em LSE (português adaptado): sextas-feiras (8, 15 e 22 de maio; 5, 19 e 26 de junho) e sábados, nas sessões das 21h (9 e 23 de maio; 6 e 20 de junho).

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