O que falta para sermos mais inclusivos?

08/04/2026

Fundação Vasco Vieira de Almeida (“Fundação”) tem como foco principal a educação para a cidadania e investe em projetos que atuam nas áreas da educação, da justiça e dos direitos humanos.

O envolvimento profundo com os projetos que apoiamos vai muito além do investimento financeiro. A vertente não financeira de apoio envolve a proximidade dos nossos colaboradores com estas iniciativas, seja através de campanhas, voluntariado, partilha de competências ou mentoria, e tem-se mostrado transformadora não só para os beneficiários, mas também para cada pessoa envolvida, que frequentemente sente que “recebe muito mais do que aquilo que dá”.

Quando falamos de deficiência, referimo-nos à necessidade de criar oportunidades, promover a inclusão, garantir o acesso à justiça e assegurar a proteção dos direitos dos mais vulneráveis. Ao participarem ativamente em projetos que incluem pessoas com deficiência intelectual ou do desenvolvimento, os colaboradores desenvolvem uma nova perspectiva sobre a inclusão, desconstroem preconceitos e estereótipos, e adquirem um olhar mais empático e consciente.

Muitos relatam que, após essas experiências, passam a compreender melhor os desafios e as capacidades das pessoas com deficiência. Sentem-se, assim, mais preparados para adotar uma postura de acolhimento e respeito pelas diferenças, contribuindo para uma cultura de inclusão e para um olhar renovado sobre a diversidade.

Trabalhamos com várias organizações e projetos sociais que todos os dias fazem a diferença. Destacamos, entre outros, o Semear e o Café Joyeux, que formam e empregam pessoas com dificuldades intelectuais e do desenvolvimento no mercado de trabalho; a Fundação LIGA, que, através da sua escola de Produção e Formação Profissional, atua na qualificação profissional e na inserção económica e social de pessoas com deficiência e incapacidade, e a Casa de Saúde do Telhal, uma valência do Instituto S. João de Deus que é uma referência na área da saúde mental.

Também o Projeto InclusivaMente, promovido pela Fundação em parceria com a EAPN Portugal, tem tido um papel crítico na promoção dos direitos humanos no que se refere à saúde mental e ao envelhecimento em todo o país.

“Ainda há muita estrada para andar”, por isso, vamos continuar a apoiar esta causa com a mesma determinação. Foi com essa convicção que a Fundação se associou ao Relatable, um projeto estratégico, promovido pela Access Lab, para combater o abandono escolar de jovens com deficiência, reforçando, assim, o compromisso com a redução das desigualdades (ODS 10).

Sabemos que a educação é o maior elevador social e um instrumento essencial para o acesso à igualdade de oportunidades.

O que falta, então, para sermos, individualmente e enquanto sociedade, mais inclusivos na forma como olhamos e como integramos?

Inês Azeredo Caeiro

Licenciada em Psicologia pela Universidade Católica Portuguesa e com uma Pós-Graduação em Gestão de Pessoas pela Porto Business School, Inês Azeredo Caeiro iniciou a sua carreira no setor social, prestando apoio psicológico e acompanhamento psicossocial a famílias em situação de fragilidade social. Integrou a Fundação Vasco Vieira de Almeida em 2019, ocupou o cargo de Vice-Diretora Executiva desde 2023 e assumiu, em dezembro de 2025, a Direção Executiva da Fundação.


 

Megafone

O Fado nasce para ser sentido e partilhado. É com esse compromisso que o Museu do Fado tem vindo a construir e a ampliar o arquivo visual Gesto do Fado, reunindo interpretações em Língua Gestual Portuguesa de poemas e canções, pelo coro Mãos que Cantam, tornando este património mais acessível.

Verdes Anos”, composto por Carlos Paredes, com letra de Pedro Tamen e interpretado por Mísia, é apresentado nesta versão através das interpretações de Cláudia Dias e Débora Carmo, com direção de Sérgio Peixoto.

O arquivo Gesto do Fado, desenvolvido em parceria com a Access Lab e com o apoio da Fundação Millennium BCP, está disponível AQUI.


 

Clipping

Cuidar do outro sem laço de sangue: como os assistentes pessoais mudam vidas 

 

Reportagem CNN 

Para muitas pessoas com deficiência, o apoio de um assistente pessoal é o que torna possível viver com autonomia, estudar e trabalhar. Em Portugal, existe um programa que garante este apoio de forma gratuita, com profissionais preparados para responder a necessidades específicas. Há, no entanto o receio de que alterações nas regras venham a limitar o acesso porque o rendimento pode passar a ser um critério determinante.


 

Agenda

Eventos com acessibilidade física, legendagem, Língua Gestual Portuguesa e Audiodescrição. 

Diana Niepce – Hornfuckers | Porto

Festival DDD – Teatro Municipal do Porto
14 de abril

Destaque: Hornfuckers, termo inglês vulgar aqui reapropriado, expõe a nossa cumplicidade com sistemas de opressão que sabemos injustos. Entre força, suspensão e risco, os corpos testam limites físicos e morais, desafiando gravidade e hierarquias. Inspirada no butoh, no circo contemporâneo e em princípios da física, a criação propõe um confronto direto com aquilo que somos e com o que escolhemos ignorar.

+ informação: Teatro Municipal do Porto

Acessibilidade:
Espetáculo com audiodescrição.

Acesso pré-performance ao palco para toda a audiência (uma hora antes do início do espetáculo) com visita informal para conhecer o espetáculo, contactar com o elenco e explorar figurinos, cenografia e palco. Inclui experimentação de luz e som na intensidade máxima e esclarecimento de conteúdos sensíveis. Destina-se a pessoas que necessitem de apoio específico, como pessoas cegas ou com deficiência visual, pessoas neurodivergentes, pessoas Surdas ou com deficiência auditiva e pessoas com deficiência física, bem como a quem precise de se familiarizar com o espaço ou tenha ansiedade em relação ao espetáculo.

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