Chegámos ao fim da primeira metade de 2026 num dos nossos lugares favoritos: os festivais de música. Dois grandes motores têm impulsionado os avanços conquistados, sem esquecermos tudo o que continua por fazer: a tecnologia e políticas inclusivas precursoras.
Iniciámos julho com o lançamento pela NOS da app Guia-NOS, com o apoio inédito dos óculos Meta, durante o NOS Alive pessoas cegas e com deficiência visual conseguiram ouvir audiodescrição do festival gerada por IA. A aplicação é um recurso que promove autonomia no dia-a-dia.
Seguimos para o Ageas Cooljazz, onde, ao lado da Fundação Ageas, criámos pela primeira vez uma política de bilheteira inclusiva, com entrada gratuita para o acompanhante de pessoa com deficiência. O festival recebeu ainda a certificação de Festival Acessível, do Turismo de Portugal, e promoveu noites com Língua Gestual e Coletes Sensoriais.
Por último, rumámos a norte para continuar o projeto Música com Sentido, da MEO e Fundação MEO, onde somos consultores estratégicos de acessibilidade e implementámos, pela primeira vez, o bilhete de acompanhante. Também foi palco da app Sentido, da Fundação, para a transmissão da interpretação em Língua Gestual Portuguesa de concertos (depois do arranque com audiodescrições de jogos do mundial de futebol).
Sabemos que muito continua por ser feito. Falamos de grandes patrocinadores, mas ainda encontramos ativações, espaços e serviços que deixam pessoas de fora. O panorama é muito diferente daquele que encontrámos, mas ainda há muito para mudar.
Na política pública, estamos focados em dois objetivos: tornar o Decreto-Lei n.º 65/2026 universal ao público e privado, para passarmos dos 400 para os 1000 equipamentos com entrada sem custos para acompanhante; e multiplicar eventos e espaços que procuram certificações do Turismo de Portugal e do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto.
Mas nem só de festivais tem sido feito o nosso ano: continuamos presentes na MEO Arena, na Feira do Livro de Lisboa e no Serralves em Festa — estes dois últimos também certificados pelo Turismo de Portugal.
Lançámos ainda o nosso selo editorial – as Edições Access Lab – com os primeiros títulos já nas lojas: “Terra de Cegos”, de Andrew Leland, finalista do Prémio Pulitzer, e “Lutar Pelo Sim”, a história de Judith Heumann contada às crianças. Em breve, revelaremos mais obras a editar até ao fim de 2026.
Estão também abertas as inscrições para a segunda edição do Relatable, o nosso programa de mentoria e role models para combater o abandono escolar de jovens com deficiência, surdos e neurodivergentes. A primeira edição terminou em Junho com 32 jovens graduados, 10 mentores e mais de 80 horas de mentoria personalizada.
Seguimos trabalho nos próximos meses com a certeza de que já não estamos no mesmo lugar onde começámos — mas também de que ainda não chegámos onde queremos. Os eventos, as empresas e as comunidades educativas precisam de compromisso contínuo.
O panorama está a mudar. Agora é preciso mudar as regras.
Tiago Fortuna e Jwana Godinho
Megafone
Julho é o Mês do Orgulho da Deficiência. Assinala o contributo das pessoas com deficiência para a sociedade, promove a sua visibilidade e desafia preconceitos e formas de discriminação. A breve história de como começou a ser assinalado.
Clipping
A tecnologia foi o maior impulsionador de progresso na acessibilidade dos festivais
Ainda decorre a época de festivais de Verão de 2026 para a Access Lab que este ano marcou presença no NOS Alive, MEO Marés e no Ageas Cooljazz (este último ainda está a decorrer até ao final do mês). Ao longo do mês de Julho os três eventos colocaram em evidência o trabalho feito pelas marcas em conjunto com a Access Lab e com os promotores dos eventos no que respeita ao tema da acessibilidade.
A fome de livros que ninguém vê
Mais de um milhão de portugueses vive com algum tipo de incapacidade. No entanto, segundo a União Mundial de Cegos, menos de 10% de tudo o que se publica existe em formatos acessíveis, como braille, áudio ou letra ampliada.
Agenda
Eventos com acessibilidade física, legendagem, Língua Gestual Portuguesa e Audiodescrição.
Ageas Cooljazz | Cascais
Hipódromo Manuel Possolo
8 a 31 de julho
Destaque: De 8 a 31 de julho, o Ageas Cooljazz regressa a Cascais com um cartaz que reúne alguns dos maiores nomes da música nacional e internacional. Entre os destaques desta edição já subiram a palco Gilberto Gil, David Byrne, Loyle Carner, Jamiroquai, Diana Krall. Franz Ferdinand (25 jul), Scissor Sisters (29 jul) e Chet Faker (31 jul), acompanhados por vários artistas portugueses no cartaz, prometem dias inesquecíveis.
+ informação: Ageas Cooljazz
Acessibilidade: Pela primeira vez, o festival disponibiliza bilhete gratuito para acompanhantes de pessoas com incapacidade igual ou superior a 60%, e reforça medidas de acessibilidade já existentes, como estacionamento reservado, área com visibilidade garantida, acesso dedicado e apoio no recinto. Alguns concertos vão ter interpretação em Língua Gestual Portuguesa e coletes vibratórios para pessoas surdas e com deficiência auditiva.

